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Nossa Parcela de Responsabilidade

Sim estamos nos movendo!

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*Por Marcos Soto

Mesmo sem nos darmos bconta, nunca estamos no mesmo lugar. Nos movemos constantemente, mesmo sem querer, e olha que não é uma distância pequena!

A terra se move, o sistema solar se move, o universo se modifica!

E nós, muitas vezes, tendemos a nos acomodar e a ficar parados, muitas vezes inertes! Isso é a famosa zona de conforto, preferimos deixar que o futuro molde nossas vidas a nós o moldarmos.

Simplesmente administramos as circunstâncias. Nos tempos de vacas gordas, temos o retorno do mercado sem nos preocupar em investir no nosso negócio. Quando uma crise exige, apertamos o cinto e esperamos. E reclamamos, porque a tendência é nos deixar tomar pelo olhar pessimista.

Neste momento difícil que vivemos, com oportunidades tão escassas, temos que nos mover e criar as situações favoráveis. Isso se aplica aos negócios e à nossa vida, seja profissional ou pessoal. Sair da zona de conforto dá trabalho. Envolve riscos, desconforto, preocupações, entre outras coisas e sentimentos desagradáveis. Muito mais fácil seria não termos que nos expor ou arriscar aquilo que já conquistamos. Nem sempre é possível.

Do ponto de vista dos negócios, vemos empresas centenárias que passaram por crises, guerras e sobreviveram. Isso não deve ser por acaso — seria por que elas se moveram?

E quanto às pessoas, aquelas que superaram suas dificuldades e conseguiram virar a mesa? Não haverá saída para uma fase difícil? O quanto estamos olhando a frente e buscando alternativas ou novos desafios?

A situação que o nosso país se encontra talvez seja uma das mais duras já vividas nas últimas décadas. Por isso devemos esperar que a crise política se resolva, o governo aja, a economia se reequilibre e os negócios se reaqueçam para sair do lugar? Sim, é uma escolha. Mas nós podemos ir além de somente esperar.

Mudar o estado de coisas significa levantar a cabeça e buscar um novo ângulo. O que mudou? O que eu preciso mudar nesse novo contexto? O que é possível fazer? Melhorar processos que não trazem resultados satisfatórios? Talvez um ajuste na rota? Testar uma fórmula diferente? Não estaria aí a oportunidade de renovar e crescer?

É obvio que não há uma receita única, pois cada caso é um caso. O fato é que depende de nós entrarmos no ritmo da terra e nos movermos no sentido amplo da palavra. É um desafio possível.

*Marcos Soto é gerente de Round Tools da Sandvik Coromant para América Latina *Marcos Soto é gerente de Round Tools da Sandvik Coromant para América Latina

Conhecendo um Pouco Mais

O país nas alturas

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O satélite que vai prover segurança e internet para 100% do território brasileiro está pronto para o lançamento

Por Inês Pereira, com material-suporte da Visiona Tecnologia Espacial

Internet para todos os cidadãos do país, de norte a sul. Com esta meta, o Governo Federal literalmente pensa alto com o programa que, além de promover a inclusão digital, pretende fornecer um meio seguro e soberano para as comunicações estratégicas das forças armadas brasileiras, hoje integralmente dependentes de satélites estrangeiros.

O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) é parte do Programa Nacional de Banda Larga. Um investimento da ordem de R$ 1,3 bilhão, gastos em todas as etapas do projeto, incluindo as despesas com o foguete responsável por colocar o equipamento em órbita. Em compensação, sua realização vai além da órbita terrestre: está obtendo tecnologias espaciais críticas para a cadeia nacional.

Com vida útil de 18 anos, o SGDC terá 90% da capacidade destinada à banda Ka, para serviços de banda larga, e o restante à banda X, de uso exclusivo das Forças Armadas. O satélite ficará posicionado a uma distância de 36 mil quilômetros da superfície da Terra. Vai cobrir todo o território nacional e o Oceano Atlântico, entrando em operação a partir do segundo semestre.

Do ponto de vista militar, o satélite vai prover a segurança das comunicações nas áreas de defesa e governamental, o que inclui o fim do risco de vazamento de informações. O SGDC também vai auxiliar na fiscalização das fronteiras do país, bem como das penitenciárias.

Por se encontrar sempre sobre um mesmo ponto fixo e girar na mesma velocidade da Terra, acompanhando o movimento do planeta, esse tipo de satélite é perfeito para ser usado, sobretudo, para estabelecer uma rede de ações ou de monitoramento e vigilância cobrindo toda a área de um país. Principalmente tendo dimensões continentais, como o Brasil, complementa a cobertura por fibras ópticas — sem condição de prover serviço a todos os municípios brasileiros. Atualmente, existem mais de dois mil municípios brasileiros com difíceis condições ao acesso para a rede de fibra ótica terrestre.

Assim, o país não precisa mais usar satélites de terceiros, o que ocorre hoje.

Absorção de tecnologia 

Ao longo de todo o Programa, cerca de trinta engenheiros trabalharam lado a lado com o fabricante francês do satélite (Thales Alenia Space) em todas as fases do projeto, desde a concepção até os testes finais de aceitação. Parte do acordo entre as partes, que incluiu aprendizado e transferên- cia de tecnologia.

Entre as principais tecnologias, a equipe brasileira se capacitou em operações de: Manutenção de órbita e atitude; Operações de cargas úteis; Análise de missão; Montagem, Integração e Testes (AIT); Gerenciamento de projetos espaciais; Engenharia de sistemas (Controle de atitude e órbita, incluindo propulsão; Supervisão de bordo; Comunicações de serviço; Controle térmico e Estrutura e mecanismos); Suprimento de energia; Engenharia de carga útil; Engenharia de subsistemas; Segmento Solo; Atividades de apoio à AIT – Garantia de Qualidade e Produto; Projeto de redes de banda larga por satélite.

Juntos,Telebras, Ministério da Defesa, Agência Espacial e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) — ao lado da Visiona Tecnologia Espacial, integradora de satélites brasileira — puderam se capacitar no estado da arte da tecnologia de projeto e desenvolvimento de satélites, classe geoestacionário.

Gestora do Programa SGDC — com lançamento programado para o mês de abril, na base de Kourou, na Guiana Francesa — a Visiona resulta da iniciativa do governo brasileiro de estimular a criação de uma empresa integra- dora na indústria espacial. É uma jointventure entre a Telebras (com 49% do capital), empresa de economia mista do setor de telecomunicações, e a Embraer (com 51%), empresa privada líder nos setores aeroespacial e de defesa.

A criação da Visiona, em 2012, corresponde a uma das ações selecionadas como prioritárias no Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) para atender aos objetivos e às diretrizes da Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (PNDAE) e da Estratégia Nacional de Defesa (END).

E, a partir da realização do Programa SGDC, a Visiona consolida expertise para ser o braço industrial do Brasil para projeto e desenvolvimento de novas soluções espaciais. Sua equipe detém a capacidade de desenvolver soluções espaciais para alavancar o Programa Espacial Brasileiro, com o aumento progressivo do conteúdo e participação da indústria nacional.

O lançador Ariane 5 

Trinta engenheiros brasileiros acompanharam a construção do SGDC Trinta engenheiros brasileiros acompanharam a construção do SGDC

 

O SGDC vai chegar ao seu destino, na órbita terrestre, levado pelo Ariane 5, um lançador com 75 missões realizadas, da fabricante Arianespace. Considerado referência mundial na categoria de grandes lançadores, com um elevado grau de precisão em suas missões, o Ariane 5 é capaz de transportar cargas úteis com peso superior a 10 toneladas para orbitas geoestacionárias (GTO) e mais de 20 toneladas para órbitas baixa (LEO). Esta performance assegura ao Ariane 5 uma alta taxa de eficiência nos lançamentos de satélites de telecomunicações. O foguete Ariane 5 tem uma confiabilidade de 98.7%, com a impressionante marca de 75 lançamentos seguidos bem-sucedidos. O SGDC viajará à bordo do Ariane 5 em companhia do Koreasat-7, um satélite da Coreia de Sul, que terá a missão de enviar a partir da órbita serviços de vídeo e dados para a Coreia e outro países, como Filipinas, Índia, Indonésia e Sudeste Asiático.

Coordenadas do satélite

Missão: Comunicação | Inteligência militar
Operador: Telebrás
Fabricante: Thales Alenia Space
Massa: 5,800 kg
Geração de energia: Painéis solares fotovoltaicos
Veículo de lançamento: Ariane 5, da Arianespace
Plataforma: Spacebus 4000C4
Local de lançamento: Centro Espacial de Kourou (Guiana Francesa)
Referência orbital: Geocêntrica
Regime orbital: Geoestacionária

Negócios da Indústria I

Que venham dias melhores

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Quem sobreviveu à tempestade no ano passado, arregaça as mangas e sai em busca de soluções no mercado e junto ao governo

Por Inês Pereira

 

Depois de grandes dificuldades enfrentadas pelo país, decorrentes das crises política e econômica, o que o setor metalmecânico espera para 2017? Esta é a pergunta que não quer calar. Difícil fazer grandes previsões, dado que definições importantes são aguardadas. Ainda assim, os representantes das principais entidades arriscam seus palpites. Alguns mais confiantes, outros nem tanto, pelo menos no que tange ao curto prazo.

Apesar de certa variação de opiniões, todos sabem que muito dependerá do próprio esforço. Organizados em câmaras setoriais, lutam por representatividade junto ao Congresso. Internamente, reveem as atividades de modo que prestem o suporte que necessitam os associados neste momento. Pensam estrategicamente e em bloco. Na mesma medida, esperam que o governo faça a sua parte — com políticas que favoreçam, entre outros aspectos, o crédito às pequenas e médias empresas, e reformas estruturais que resgatem estabilidade.

“O Brasil está passando pela maior crise de sua história. Além da enorme crise econômica, vivemos um momento de grande incerteza política e estrutural. Muitas mudanças estão ocorrendo e muitas outras estão a caminho, o que aumenta ainda mais o grau de incerteza”, avalia Claudio Camacho, vice-presidente de vendas da Sandvik Coromant para a América do Sul e Central. Incerteza que, após o termino do primeiro trimestre de 2017, ele acredita que diminua: “Começaremos a visualizar um cenário levemente otimista. Os projetos que estavam em processo de espera e que agora retomam a mesa de discussão. Isso certamente nos traz algumas possibilidades de negócios. Este movimento nos abre novas perspectivas, já que tradicionalmente a Sandvik Coromant é reconhecida pela sua grande oferta de valor e ganhos de produtividade”.

A saúde do país, diriam os economistas, embora frágil, apresenta ligeira melhora. Para citar alguns exemplos do ponto de vista de números, o termômetro do Credit Default Swap (CDS) aponta que o Risco Brasil caiu mais de 50% nos últimos 12 meses. A Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) subiu mais de 60% no mesmo período de 12 meses. A moeda brasileira também se fortaleceu no período frente ao dólar. A cotação da moeda norte–americana recuou de R$ 3,93 em fevereiro do ano passado para R$ 3,10, um recuo de 21% no período.

Camacho, que também está à frente do Sindicato da Indústria de Artefatos de Ferro, Metais e Ferramentas em Geral no Estado de São Paulo (Sinafer), observa que as empresas, de uma forma geral, reduziram drasticamente seus recursos humanos, o que só será compensado em um primeiro momento, com ganhos expressivos de produtividade. “A constante introdução de produtos novos, associados às novas tecnologias de processos, são armas fundamentais que oferecemos para este ganho de produtividade tão necessário neste momento.” Acompanhe, a seguir, o que dizem Abimei, Abimaq, CNI e Sinafer.

É hora de rever conceitos

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Por Paulo Castelo Branco, presidente da Abimei (Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais)

A indústria de transformação enfrentou nos últimos dois anos alguns dos maiores desafios de sua história no Brasil. E, embora um fim para essas dificuldades ainda seja um cenário que poucos vislumbram, as últimas notícias pelo menos têm indicado que a confiança do empresariado começa a ser recuperada. 

Este é, portanto, o momento preciso para se avaliar de modo profundo o que de fato queremos para a indústria brasileira e, ao mesmo tempo, definir como pretendemos voltar a crescer.

A principal pergunta é: Será que cometeremos os mesmos erros do passado, impulsionando o crédito sem qualquer pudor, incentivando de modo insustentável e até irresponsável o consumo até que a bolha estoure novamente?

Creio que não. Prefiro acreditar que esta crise tenha sido um divisor de águas, pelo menos no que diz respeito à política econômica. O que precisamos daqui em diante é dar os incentivos necessários para que se tenha condições de produzir dentro do Brasil.

A maneira mais eficiente de se fazer isso é por meio do investimento em tecnologia. O país se tornará muito mais forte com este segmento tão vital, de modo que a indústria tenha condição de produzir com mais eficiência, velocidade e qualidade.

E o Brasil só será mais eficiente e veloz na produção, quando abandonar definitivamente essa visão ultrapassada, mas que infelizmente é predominante, de que o maquinário importado representa um mal.

Ao contrário: quando uma empresa adquire uma máquina importada que é capaz de produzir a uma velocidade 20% ou 30% maior, com menos falhas na produção e agregando mais valor do que sua “equivalente” nacional, ninguém perde. Como geradora de empregos, a indústria tem sua esmagadora força na produção de bens de consumo, não de bens de capital.

Portanto, é falacioso dizer que importar máquinas rouba empregos daqui. Ao contrário, a presença dos equipamentos importados gera competitividade, e deveria impulsionar as fabricantes locais a alcançar os mesmos níveis de qualidade.

Por fim, ao melhorar a sua produtividade, a indústria nacional passa a ser mais competitiva tanto aqui no Brasil como para o mercado exterior. Ou seja, é uma forma de alavancar as exportações por meio das importações de máquinas.

Esse cenário se aplica como nunca à indústria nacional. Com suas peculiaridades, nosso setor não deixou de ser criativo e resiliente durante tempos de dificuldades, e isso ficou mais claro do que nunca nos últimos dois anos.

Apesar de todas as dificuldades, o setor foi capaz de se manter unido e, embora as perdas de faturamento e de pessoal sejam uma realidade e tenham sido inevitáveis, já é possível dizer que finalmente o pior ficou para trás, e que agora todos podem começar a se planejar para um período com mais oportunidades.

Para que saltemos a um novo patamar, no entanto, é essencial abandonar os velhos preconceitos, abraçar como nunca a globalização e, em alguns anos, olhar para trás e verificar com orgulho que tomamos a decisão correta.

Sem perspectivas em curto prazo

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Por Cristina Zanella, Gerente do Departamento de Competitividade, Economia e Estatística da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos)

A indústria de máquinas foi um dos segmentos que mais sofreu com essa crise. Toda crise leva, em um primeiro momento, a uma contenção de investimentos. E, nesse ponto, o primeiro setor a sofrer impacto é o da indústria de máquinas.

Vimos três anos consecutivos de queda de investimento. Em 2013, se investia nesse país R$ 15 bilhões mensais em máquinas e equipamentos, e no ano passado, a média mensal foi de R$ 8,5 bilhões, ou seja, uma queda de 43% em relação ao período de auge como de agora.

Estamos com alto nível de ociosidade e alto índice de desemprego, o que reduz consumo e acarreta em famílias e indústrias endividadas. É uma bola de neve que vai crescendo e fazendo se deixar de lado os investimentos.

Não estamos vendo melhoras ainda, mas pode haver uma retomada do consumo das famílias, ainda que lenta. Com a liberação do FGTS, a tendência é que as famílias deixem de se endividar ou diminuam suas dívidas, e daí se dê um fôlego ao consumo. Consequentemente, a indústria e o comércio sentirão esse movimento, ainda que pequeno.

Com relação aos investimentos, nossa expectativa é de que, se houver um crescimento, vá ocorrer no final do ano, puxado principalmente pelo setor agrícola, que possui uma participação importante na indústria de máquinas — cerca de 20% do nosso setor — e que nesse ano terá uma boa safra.

No curto prazo, além do segmento de máquinas agrícolas, um fator positivo é que as empresas estão fazendo substituição dos equipamentos defasados, além de manutenções e substituições de peças. Isso aumenta um pouco a demanda por máquinas, mas grandes investimentos para ampliação de produtividade não estão acontecendo e não vão acontecer tão já.

Na parte de crédito, vimos recentemente o BNDES fazer alterações nas politicas operacionais e disponibilizando linhas de capital de giro que, de alguma forma atraem investimentos. Mas boa parte dos programas teve a participação da TJLP diminuída, o que tornou o crédito mais caro principalmente para as grandes empresas, que são aquelas que mais exportam. Entretanto, a maioria do nosso setor, que é formado por pequenas e médias empresas, não pode utilizar esse mecanismo oferecido pelo governo.

Um problema grande é que muitas empresas estão endividadas, e havendo um aquecimento, essas empresas não terão condições de atender a demanda em curto prazo por não conseguirem crédito — e hoje, a venda de máquinas é atrelada ao crédito. Então o primeiro passo é, de alguma forma, tomar uma medida para permitir que essas empresas adquiram créditos no mercado.

A Abimaq tem ido ao Congresso levando propostas que possam, de alguma forma, dar algum fôlego para a indústria. E espera que o governo faça a sua parte. Afinal, estamos há três anos em quedas consecutivas. Vimos muitas empresas fechar as portas, mas as que sobreviveram terão de criar mecanismos para se adaptar, quitar suas dívidas, adquirir crédito e ficar aptas para ter produtividade. É muita coisa lá para frente, e em curto prazo não vemos um cenário promissor.

A prioridade é o emprego

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Por Robson Andrade, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria)

Em 2016, mais de 5 mil trabalhadores por dia deram à família a notícia de que perderam o emprego. Ao todo, mais de 12 milhões de pessoas estão desempregadas no país, o pior efeito da maior crise econômica que enfrentamos na história recente. Isso tem de acabar. Não há, porém, uma frente única de ataque ao problema. Sua solução exige o retorno dos investimentos. É fundamental equacionar duas questões centrais: a restauração da confiança na capacidade de a economia voltar a crescer e a melhora radical no ambiente de negócios. Estes dois aspectos precisam caminhar simultaneamente, com a aprovação de medidas pontuais e reformas mais amplas que ponham o país de novo no rumo do crescimento.

Para recuperar a confiança, é indispensável adotar reformas estruturais que gerem estabilidade fiscal. O primeiro passo foi dado com a emenda constitucional que limita o aumento dos gastos públicos por 20 anos. Mas não há dúvida de que a aprovação da reforma da Previdência, nos moldes em que o governo vem propondo, é imprescindível para o equilíbrio orçamentário de longo prazo.

Para aperfeiçoar o ambiente de negócios, o país precisa retirar entraves ao funcionamento adequado das empresas e à contratação de mão de obra. É imperativo modernizar a legislação que rege as relações de trabalho, com destaque para a valorização das negociações coletivas e a regulamentação da terceirização.

Grandes projetos de infra-estrutura, que contratam trabalhadores em larga escala, mas são naturalmente afetados pela falta de confiança, demoram muito para sair do papel e surtir efeitos. Há esperanças no campo do petróleo e gás, após a liberalização feita na lei que rege o setor. É possível revigorar áreas com resposta mais rápida, como saneamento e construção civil, com ênfase em empreendimentos habitacionais.

A indústria ainda conta com um grau de ociosidade alto, o que dificulta contratações. Mas, num momento em que a demanda interna patina, alguns segmentos como o automobilístico, o de calçados e o de aço podem ter nas exportações o caminho natural para que as empresas retomem a produção, recuperem-se financeiramente e criem empregos. 

Apesar do alto grau de endividamento das famílias, o consumo pode melhorar um pouco com a queda das taxas de juros pelo Banco Central. Mas é preciso dar às empresas condições de renegociar suas dívidas financeiras com os bancos, para que elas ganhem fôlego e possam voltar a ficar em dia com seus compromissos fiscais e trabalhistas. Também é essencial que o BNDES retome o financiamento de longo prazo a custos compatíveis com a atividade industrial.

Pelos indicadores, o Brasil já começou a melhorar, mas o processo será gradual. Quanto mais rápido avançarmos nas medidas citadas aqui, maior será a capacidade de criar empregos. Milhares de empresários identificam oportunidades até nos momentos ruins e estão só à espera de um cenário mais favorável para voltar a investir.

Atacando a crise de frente

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Por Claudio Camacho, presidente do Sinafer (Sindicato da Indústria de Artefatos de Ferro, Metais e Ferramentas em Geral no Estado de São Paulo) e da ABFA (Associação Brasileira da Indústria de Ferramentas em Geral, Usinagem, Artefatos de Ferro e Metais) e Carlos Martins, Gerente Executivo do Sinafer

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O Sinafer e a ABFA estão sempre  atentos às mudanças do mercado, bem como às necessidades das empresas a nós associadas. Em um momento crítico como esse em que o país está vivendo, com desestímulo ao investimento, altíssima carga tributária, juros elevados, dificuldade de crédito e legislação trabalhista complexa, apoiar as médias e pequenas empresas é papel fundamental de entidades como a nossa. A entidade tem participado de discussões e estudos dos mais diversos fóruns propondo mudanças, modernização dos processos de negociação e na defesa dos legítimos interesses do setor.

Pesquisamos, entre as empresas de nossa área, quais as necessidades de treinamento mais relevantes em curto prazo — geralmente para atender as novas mutações da legislação trabalhista, tributária e até programas de treinamentos mais longos que envolvam a gestão do negócio, que abrangem desde a melhor administração dos recursos, elaboração de estratégias, e capacitação de pessoas, entre outros — e nos baseamos nestas necessidades para montar uma grade de cursos e treinamentos, a fim de reduzir este gap de conhecimento.

Dentro do Sinafer/ABFA, também intensificamos o trabalho das câmaras setoriais, responsáveis por discutir, identificar e propor soluções para os maiores problemas do segmento a qual fazem parte, por exemplo, os grupos setoriais de apoio jurídico, recursos humanos, esse último com trabalhos centrados principalmente na preparação para as negociações coletivas do setor junto aos trabalhadores.

Além dessas atividades, mantemos convênios e parcerias com o SENAI, no apoio à formação de mão de obra qualificada, com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e na preparação das empresas associadas no desenvolvimento de seu produto e inserção no mercado internacional. Contamos, ainda, com a estrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), para, conjuntamente, elaborarmos pleitos em defesa do interesse de nossas associadas e de seus departamentos internos que atendem, por meio do Sindicato, as demandas pontuais das empresas do setor.

Cabe ressaltar o papel fundamental do Sindicato nas Negociações Trabalhistas, discussões de revisões das Normas regulamentadoras do MT e de ampla participação na votação dos PL (na câmara dos Deputados e do Senado) que podem influenciar diretamente a dinâmica de negócios do nosso setor.

O setor tem duas datas referências de negociação com as duas grandes centrais, 01 de setembro CUT e 1 de novembro Força Sindical. Na reforma trabalhista que está sendo proposta ao governo, carrega uma série de sugestões conjuntas com outras entidades e Federações, com o objetivo de modernizar e flexibilizar as relações trabalhistas e criar novos empregos.

Nosso grande desafio como entidade, é continuar dando o suporte para o maior número de empresas associadas e contribuintes, eliminando as barreiras existentes e criando novas oportunidades de negócios.

O MUNDO DA USINAGEM é uma publicação da Sandvik Coromant do Brasil
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