O Mundo da Usinagem
Nos últimos anos, o segmento de usinagem de peças de pequena dimensão – que exige alta precisão e qualidade no acabamento superficial de seus produtos – tem se desenvolvido rapidamente. As áreas médica, agrícola e de micromecânica estão entre os principais nichos que requerem tecnologias inovadoras capazes de atender ao crescente mercado da microusinagem.
Para suprir as demandas de produtividade e flexibilidade na produção de pequenas peças – como implantes dentários e ortopédicos, peças para irrigação, conexões hidráulicas e pneumáticas, moldes e joias –, os fabricantes de máquinas-ferramenta têm investido no desenvolvimento de equipamentos destinados a este mercado, os chamados miniequipamentos ou máquinas de pequeno porte.
Projetadas pela primeira vez há cerca de 30 anos para a fabricação exclusiva de lentes e espelhos, as máquinas de pequeno porte podem ser empregadas na usinagem de peças de materiais ferrosos e não-ferrosos, plásticos e compostos, inclusive de perfis complexos, como eixos, anéis, peças cilíndricas, porcas e válvulas. Além de atender aos mercados de microusinagem e ferramentaria, as máquinas de pequeno porte também podem ser utilizadas para fins didáticos em universidades e escolas técnicas (veja mais informações no quadro “Investindo na aprendizagem”).
No Brasil, as aplicações de miniequipamentos começaram a se tornar conhecidas somente a partir da década de 90. Para atender à carência do mercado nacional, a CNC Tecnologia – fabricante que atua neste segmento desde 2004, localizada em Santa Bárbara D’Oeste (SP) – lançou neste mesmo ano uma linha de miniequipamentos controlados por CNC, composta por minitorno, minifresadora e minitorno e minifresadora conjugados.
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Miniequipamentos ocupam pouco espaço, oferecem flexibilidade, alta precisão e boa produtividade
Segundo José Fernando Perez, gerente de Vendas da CNC Tecnologia, a utilização de minitornos é altamente recomendada para a usinagem de parafusos para implantes dentários e ortopédicos; de conexões para hidráulica, telefonia e pneumática; e de peças mecânicas em geral com pequenos diâmetros e comprimentos. “Já a minifresadora é ideal para a usinagem de moldes para fundição, eletrodos de cobre e chaves para fechaduras especiais”, explica.
Máquinas de pequeno porte são alternativa para empresas que desejam reduzir custos
Uma inovação dentro desta categoria de máquinas é o modelo que conjuga minitorno e minifresadora, que pode realizar tanto operações de torneamento quanto de fresamento. Neste equipamento da CNC Tecnologia, a alternância de operações entre torno e fresadora é efetuada no painel de operação, que providencia a mudança das coordenadas do eixo. “É uma excelente opção para a área de treinamento e também uma máquina versátil, considerada ideal para o segmento de microusinagem”, avalia Perez. Na opinião do gerente, a evolução destas máquinas multifuncionais – que permitem usinagens alternando as funções de tornear, fresar, fazer roscas, furar ou fazer gravações – deverá ser uma tendência nos próximos anos.
Apesar de apresentar dimensões menores, a tecnologia destes miniequipamentos é praticamente a mesma de uma máquina projetada para a usinagem de peças convencionais. Uma máquina de pequeno porte é capaz de realizar a maior parte das operações de tornear e fresar, com a mesma qualidade de um equipamento de tamanho regular; contudo, sua aplicação está limitada pelas dimensões das peças que ela poderá usinar.
Máquinas CNC de pequeno porte são uma tendência para os próximos anos
De acordo com Osmar Takauti e Homero Gouveia, respectivamente diretor comercial e consultor da CNC Flex – fabricante de máquinas CNC de pequeno porte localizada em São Paulo –, estes equipamentos dispõem dos mesmos acessórios e periféricos encontrados em qualquer máquina CNC, como torre porta-ferramenta, placa de sujeição automática, contraponta de avanço automático, porta automática e alimentador de barras.
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Tecnologia dos miniequipamentos é praticamente a mesma de uma máquina convencional
Gouveia acrescenta que acessórios como quarto e quinto eixos – ideais para usinar peças redondas e com várias faces, respectivamente – e eixo para usinagem interna são comuns nos miniequipamentos. “É difícil encontrar acessórios como estes em máquinas de grande porte, pois seu custo de implantação é alto; já em uma máquina menor esses recursos se tornam mais acessíveis”, compara o consultor.
Segundo Takauti, a utilização simultânea de quarto e quinto eixos em máquinas de pequeno porte é uma técnica de operação que garante alta produtividade e excelente precisão e qualidade para as peças usinadas. O diretor comercial informa que outra novidade no Brasil é a utilização de laser e cabeçote ultrassônico ao lado das ferramentas de usinagem. “Nossas máquinas destinadas ao segmento de joalheria incorporam tecnologias como o laser, pois o mercado tem exigido este tipo de recurso; já o cabeçote ultrassônico funciona por meio de impacto e é a melhor opção para usinar materiais não-condutivos como cerâmica e vidro”, considera Takauti.
Além de garantir precisão e boa produtividade, as máquinas de pequeno porte também podem ser uma alternativa para as empresas que desejam reduzir custos. Para Seme Murad, engenheiro industrial da Haga – renomado fabricante de fechaduras de Nova Friburgo (RJ) –, estes equipamentos consomem menos energia do que máquinas de grande porte e também oferecem custo reduzido de manutenção. “Outras vantagens dos miniequipamentos é o pequeno espaço que ocupam, assim como a facilidade de operação, automação e flexibilidade”, aponta Murad.
Haga utiliza máquinas de pequeno porte para a usinagem de cilindros de fechaduras
A Haga utiliza máquinas CNC de pequeno porte em sua linha de produção há mais de três anos para a usinagem de componentes especiais e complexos aplicados em cilindros de fechaduras residenciais. Murad lembra que estes equipamentos oferecem ótimo custo–benefício: “Executando manutenções frequentes e preventivas, com atenção especial aos sistemas elétrico, hidráulico e pneumático, a ocorrência de paradas na máquina de pequeno porte é muito baixa”.
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Osmar Takauti, da CNC Flex, destaca duas razões que explicam porque o mercado de máquinas de pequeno porte está em constante crescimento. Além de serem capazes de atender vários segmentos – como microusinagem, ferramentaria e treinamento –, estes equipamentos têm se tornado a cada dia mais acessíveis do ponto de vista do custo inicial.
Fernanda Feres
Jornalista
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Com presença significativa nos segmentos de microusinagem e ferramentaria, as máquinas de pequeno porte (ou miniequipamentos) também têm se mostrado adequadas para auxiliar e facilitar o treinamento de alunos em universidades e escolas técnicas.
Pedro Teodoro de Faria, coordenador técnico da Escola SENAI Roberto Simonsen, localizada na região do Brás, em São Paulo, destaca que estas máquinas permitem aos alunos consolidar a aprendizagem teórica e prática manuseando equipamentos que apresentam a mesma tecnologia de uma máquina de maior porte. Ainda de acordo com o coordenador, desde a década de 90 o SENAI passou a investir fortemente em máquinas CNC de pequeno porte, pois este tipo de equipamento apresenta ótimo custo de operação. “Economiza-se energia elétrica e não há necessidade de utilizar óleos refrigerantes, já que os materiais usinados são geralmente resinas plásticas. Deste modo, o desgaste das ferramentas de corte é mais baixo”, garante Faria. “Além disso, estas máquinas podem ser instaladas até mesmo em uma sala de aula, devido ao seu tamanho e peso mais compactos”, avalia.
Outra vantagem importante a ser destacada é que os miniequipamentos são preparados para serem manuseados por operadores que estão em processo de aprendizado, e por isso contam com recursos de segurança específicos para atender as necessidades deste perfil de usuário.
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