O Mundo da Usinagem
Li certa vez que o oposto da vida não é a morte, mas o medo. O medo de arriscar, o medo de ousar, o medo de parecer ridículo, o medo de tomar para si o que por merecimento não nos caiba, o medo de perder, o medo de falhar, o medo de ser julgado e o medo de ser condenado, tanto na terra quanto nos céus.
Quantos líderes, atores, músicos, pintores, dançarinos, escritores, cientistas, gênios em potencial, ou quantos êxitos e prazeres não são sufocados, em seu próprio nascedouro, pelo medo que temos de transgredir a linha tênue do equilíbrio entre o desejo e a responsabilidade? Ou ainda entre a genialidade e a loucura, entre o respeito e a covardia, entre a realidade e o conformismo, mesmo que não tenhamos certeza de que nosso juízo de valor esteja, de fato, alinhado com o que poderia ser tomado por verdade absoluta.
É muito difícil abrir mão do orgulho pessoal, consolidado ao longo de anos, em favor de um sonho que tememos ser apenas uma ilusão ou miragem, ainda que tal orgulho esteja abaixo de nossas reais possibilidades e aspirações mais íntimas.
Para compensar esta situação, contentamo-nos com placebos, pílulas de realizações virtuais, que ingerimos por intermédio de paralelos, traçados por nós mesmos, em relação aos heróis que encontramos nos livros, filmes e novelas e sobre os quais projetamos nossas frustrações e, por meio dos quais, alcançamos nossa temporária sensação de realização e liberdade. Um suspiro de prazer que, em geral, se esvai no cotidiano real e implacável de cada segunda-feira.
Conformamo-nos em seguir a trilha do razoável, pois esta não costuma expor as entranhas dos nossos sentimentos mais íntimos e nem põe em risco a segurança que sentimos por estar entre uma maioria que pensa de igual maneira.
Se pudermos concordar com este pensamento, caberia então a cada um de nós, na medida em que evoluímos no conhecimento da nossa própria natureza, uma busca progressiva e contínua, para promovermos a congruência do que somos com o que por mérito podemos ser.
Ocorre que esta busca pode incorrer em mudanças, apostas e novas escolhas, mais facilmente compreendidas por aqueles que já sofreram a metamorfose imposta pelo inconformismo, de quem acredita que só há uma vida para ser vivida e que, por esta razão, não se pode abrir mão de vivê-la em plenitude.
Por isto tudo, deixo hoje de escrever nesta coluna como um funcionário desta prestigiosa empresa, para, como um falcão recém-alado, ampliar a minha liberdade de voar por territórios onde, há tanto tempo, meu espírito clama por explorar.
Como consultor, continuarei sendo editor-chefe e jornalista responsável por este veículo, que tenho orgulho de ter ajudado a criar. Se for de seu gosto, escreva-me no e-mail professor.marcondes@yahoo.com.br
Muito obrigado por sua companhia e apoio até aqui!
![]() |
Francisco Marcondes
Editor-chefe da
Revista O Mundo da Usinagem
Todos os direitos reservados. Produzido por House Press